Pesquisar neste blog

 


ARQUIVOS

Agosto 2012

Março 2008

Novembro 2006

Outubro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

Agosto 2004

Julho 2004

Junho 2004

Maio 2004

Abril 2004

Março 2004


POSTS RECENTES

Cancro - Português ajuda...

Ferraris Falsos

O Português que foi admit...

O MEL E A CANELA

Último dia de trabalho do...

ANEDOTAS

Enganos

Funcionária da TAP

Coisas de Psicólogo

Para rir um pouco..


ÚLT. COMENTÁRIOS

Para quando?
gostaria de saber as medidas certas para se tomar ...
Achei uma gracinha todos estss comentários. Realme...
amei!!!!!!!!!!!!!!kkkkkk quem fala o que quer... e...
Carissímos senhores,já não posso pedir desculpas p...


POSTS MAIS COMENTADOS

51 comentários
6 comentários
5 comentários
4 comentários
blogs SAPO
Sexta-feira, 2 de Setembro de 2005

Tem muito humor

Tem muito humor, observa bem a actualidade cultural portuguesa e não ofende ninguém.

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar "afro-americanos" aos pretos, com vista a acabar com as raças por via gramatical - isto tem sido um fartote pegado! As criadas dos anos 70 passaram a "empregadas" e preparam-se agora para receber menção de "auxiliares de apoio doméstico". De igual modo, extinguiram-se nas escolas os "contínuos"; passaram todos a "auxiliares da acção educativa". Os vendedores de medicamentos, inchados de prosápia, tratam-se de "delegados da propaganda médica". E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em "técnicos de vendas".

Os drogados transformaram-se em "toxicodependentes" (como se os consumos de cerveja e de cocaína se equivalessem!); o aborto eufemizou-se em "interrupção voluntária da gravidez"; os gangues étnicos são "grupos de jovens"; os operários fizeram-se de repente "colaboradores"; e as fábricas, essas, vistas de dentro são "unidades produtivas" e vistas da estranja são "centros de decisão nacionais".

O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à "iliteracia" galopante. Desapareceram outrossim dos comboios as classes 1.ª e 2.ª, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes "Conforto" e "Turística".

A Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...»; agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia: «Tenho uma família monoparental...» - eis o novo verso da cançoneta, se quiser fazer jus à modernidade impante.

Aquietadas pela televisão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um "comportamento disfuncional hiperactivo". Do mesmo modo, e para felicidade dos "encarregados de educação", os brilhantes programas escolares extinguiram os alunos cábulas; tais estudantes serão, quando muito, "crianças de desenvolvimento instável".

Ainda há cegos, infelizmente, como nota na sua crónica o Eurico. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado "invisual". (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o "politicamente correcto" marimba-se para as regras gramaticais...)

Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da praça desbocam-se em "implementações", "posturas pró-activas", "políticas fracturantes" e outros barbarismos da linguagem.

E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.

À margem da revolução semântica ficaram as putas. As desgraçadas são ainda agora quem melhor cultiva a língua. Da porta do quarto para dentro, não há "politicamente correcto" que lhes dobre o modo de expressão ou lhes imponha a terminologia nova. Os amantes do idioma pátrio, se o quiserem ouvir pleno de vernaculidade, que se dirijam ao bordel mais próximo. Aí sim, um pénis de 25 centímetros é um "caralho enorme" e nunca um "órgão sexual masculino sobredimensionado"; assim como dos impotentes, coitados, dizem elas castiçamente que "não levantam o pau", e não que sofrem de "disfunção eréctil".

go_up.gif  Voltar ao topo

Publicado por: Ferreira Santos às 19:03
link do post | Comentar | favorito
5 comentários:
De Carolina a 9 de Janeiro de 2006 às 17:38
não sei se foste tu quem escreveu isto, mas tá super giro ;)
uma pequena observação: não se diz surdos, diz-se deficientes auditivos
ah pois, eles não param!!
De Azul do Mar a 11 de Outubro de 2005 às 20:07
Plágio!
De Santos Passos a 17 de Setembro de 2005 às 02:22
Brilhante! Ou melhor, do cacete!
De Santos Passos a 17 de Setembro de 2005 às 02:22
Brilhante! Ou melhor, do cacete!
De Master Minder a 7 de Setembro de 2005 às 15:21
Ok. Está engraçado e gostei. Vou-te adicionar aos links do meu blog. Felicidades!

Comentar post